terça-feira, 7 de junho de 2011

Viúva de Pensamentos

Pra sempre enrolada em tecido branco
Indiana viúva,em plenos anos trinta,
Em excassez de fâneros, em prantos
Carrego o karma, o dharma, a sina.

Passam-se as vidas, em pelo anil
Morrer e renascer, essa é a lei!
Hoje ainda sou escrava da lei vil
Do lutar pelo que não posso ou sei...

Imposta, é sempre a mesma questão!
As mulheres lutam, nunca em vão
Pelo encanto etéreo do grande amor.

Independe da era, sempre lutarão
Pelo amor ou pela sua emanipação
Numa era, nos livraremos do opressor!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Versos a um menino

Versos ao quase-filosofo e grande nada Lucas C. Lisboa.

Meus versos não são bravos
De todo, brava é minha alma
Contigo, rindo a batalha travo
Vejo seu sangue e sinto calma

E rendo-me às  gargalhadas
Eu e minha amiga, Santa Morte
Justiça empunha minha espada
Que desgastou toda sua sorte

Coitado de você, pobre menino
Acha que chegará ao Alexandrino
Não entende que a heróica sou eu

Com seu sangue, me delicio rindo
Acha que seus versos são lindos
E no fim, minha Santa  lhe acolheu

domingo, 5 de junho de 2011

VIII Fórum Internacional de Sepse

Preocupada à beira de seu leito,
controlo aos cálculos cada batida.
Recosto o esteto em seu peito,
atenta e questionante à volemia

e ao seu coração, à sua perfusão.
Malditas bactérias comunitárias!
Inevitável ao tubo,à respiração...
Luto forte, como suas imunitárias!

Não permito que sua infecção
Tranforme-se em choque.
Isso, definitivamente, não!

Sou a mão que lhe cuida
Sou aquela que lhe cura
Sou a que afasto sua morte.

Cuido-lhe

Eu poderia passar dias
Vendo-lhe calmo, dormir.
Em silêncio e alegrias
E toda vez lhe cobrir.


Cuido-lhe com todo meu zelo
Para em seu colo repousar.
E confesso todo meu apego
E todo condão de lhe amar...


É que perdi-me oberservando
E suspirante, pude sorrir feliz
Vendo-lhe calmo, repousar.


Faz-se forte, mas é meu anjo
Salvou-me, e foi por um triz
E fez-me, menina, apaixonar.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Prefiro assim. (Versos à André Sales)

Por você, ponho-me nua
Com todas minhas pinturas
Carrego flores ao ventre
Rasgado no sol poente.

E sem vergonha, me mostro
Já faz tempos que sou sua.
Nossos corpos já  se enrolam
Nos tantos meses sem lua

Não ligo se não tem luz,
E se prefere o vazio 
E a penumbra sem lumiar

Sigo a luz da vela, pois
mesmo na noite infinita
prefiro, sempre lhe amar.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Séptica!

Germe vil em sangue venoso
Arrasta em minhas entranhas
Proteína chama o complemento
Opsonizando em contentamento

Séptica e cansada, ardendo
Calafrio que abala e derrete
E um radical, livre se apetece
Cada célula, sedento comendo

Infecção, e das malditas!
Falharam meus neutrófilos
Como se nunca tivesse timo...

Células imunes fritas
Agora um todo acidófilo
E morta, eu não rimo!

domingo, 22 de maio de 2011

Freud explica....

Às vezes angustiada, penso
Que preciso de uma fila de dez
Pra meu ventre não ficar tenso
E eu gaste meus contos de réis

Penso então, é uma patologia!
Que em minha vulva reside insana
Deveria procurar um analista
Para aliviar minhas entranhas?

Mas o alívio, ah, o alívio
Vem com o gozo em pranto
Contrai o ventre, dói! Martírio!
E me faz querer mais um tanto

Analista? Pra que serviria?
Só me servem homens viris
Que me consomem todo dia
Na necessidade que pede bis!