domingo, 4 de novembro de 2012

A casa das Prioridades

Queria uma casa bonitinha e decorada
Com café no bule e jogo de porcelana.
Queria pátina, um sofá com almofadas
Uma cozinha colorida, com paneleiro, azulejada(...)

Eu queria uma casa-lar, com alto valor
Uma casa onde houvesse almoço e jantar!
Desses que a gente senta na mesa(...)
E uma escada, com frases de Vinícius de Moraes 
Pra lembrar, sempre subindo, como é viver um grande amor.

Eu queria uma casa com dispensa
Pra fazer compras e feira com um marido
E um tapete de seja bem vindo
Quando o cheiro do bolo fizer diferença(...)

Mas eu me vendi...
Vendi tudo que tinha pro tempo!
Tempo pra estudar, pra trabalhar, pra investir,
Pra vestir, pra maquiar e sair correndo tomando café pela rua(...)
Não tenho tempo de achar um lar, nem de me mudar,
Nem de decorar, nem de "corar",
E nem por da dispensa.

Tenho tempo somente pra dispensar os sonhos bobos
e escolher numa loja pelo menos uma cama confortável(...)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Amor covarde


Eu te amo de um jeito tão roto e covarde
que sequer tem uma vírgula de coragem
de arrancar-te da sua rotina obsoleta(...)
Para mostrar-te todo meu encantamento.


Espero somente que um dia não seja tarde
Que meu bolso não carregue uma passagem
Porque minha mala não caberá sua camiseta
E nem nenhum dos nossos pseudo-momentos


Porque um dia, eu canso dessa lateralidade!
Canso desse tanto e tanto de auto-piedade
então me viro e livro pra novos horizontes


Será o dia de minha fundamentada liberdade
Finalmente chega o dia da auto-compatibilidade!
O dia que me livrei de meu coração brutamontes

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Para matar um grande amor (II)

Versos de revolta (II) a Para viver um grande amor, de Vinicius de Moraes.


Para matar um grande amor, estou certa
Convém perder a hora do elogio
E fazer muito rodopio
Para evitar o grande amor(...)


Deve-se esquecer a hora do sono
Para não abraçar o grande amor!
E esquecer-se no jogo de cartas,
Ou em qualquer outro jogo
Que deixe dormir o acolhedor(...)


Para matar um grande amor, vos digo
É conveniente usar um comprimido
E uma talagada de qualquer aditivo
Que vá despistar o grande amor
E usar-se do mal hábito
De culpar o alcoolato
Pelo excesso de calor(...)


Para matar um grande amor é infalível
Esquecer das vitais necessidades
Esquecer dos olhares e gentilezas
Das grandezas e das miudezas
E do café-da-manhã altamente removível
Do cotidiano do grande amor(...)
E esquecer das grandes datas
Do cantarolar e das serenatas
Que deveriam ser feitas pro grande amor!


Para matar seu grande amor
Convém ser esquecer-se do para sempre
E sempre escolher outros amores
Outros colos, outras casas, outros clamores
tão rotineiros na vida de um grande amor.


Convém esquecer-se do dia que se apaixonaram,
Para evitar relembrar coisas do grande amor!
E deixar no fundo da mente
Toda beleza do que foi reluzente
Mas que hoje é tão indiferente
Não causa arrepio, não é alimentador(...)


Para matar um grande amor, vos indico
Esqueça-se de tudo como doença
Encha-se de todo seu egoísmo
E mate o que não te traz recompensa
E viva, intensamente amor-próprio
Pois você finalmente ganhou o consórcio
E conseguir matar esse grande-quase-amor!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Amor-café ralo.

Vivo um amor tão mal feito
Como café de ontem, ralo
Um amor de engolir estreito
Amor grosso, num gargalo!


Amor que não passa na goela
Devido à uma tal lateralidade.
Um amor que falta sensibilidade,
Morador dessa estreita viela!


Eu vivo um amor de cansaço
que muito fala, mas nada muda.
Que todo amanhecer faz chorar(...)


Esse amor de falta de abraço,
Esse amor que em nada ajuda.
E faz-me viver totalmente curva!

Bisturi e comprimdo

Vou arrumar um bisturi
de arrancar esses risos
Para arrumar esse ciso
De tudo que eu construi!


Vou arrumar uma sonda
E vou fincar no coração
E me livrar desse condão
Dessa vigília, dessa ronda!


Vou arrumar os cirúrgicos
Para livrar do verbo túrgido
Esse organismo oprimido.


Eu vou, esse karma destruir,
Eu vou todo amor suprimir,
Com ajuda de um comprimido!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Oca pensante

Eu, que nasci da semi-esterilidade
Efetivei essa oca karma-patologia
De comigo conviver, em sanidade
Com a impossibilidade da procria!


Então, jovem, em jejum do verbo
Devido a ausência do ralo rubro
Já podia diagnosticar o meu certo
Já podia visualizar o meu delubro


Meu parto é pelo cérebro e pernas!
Na ausência dos órgãos do ventre
É o pensativo que sofre! Evidente!


Minha família é um grupo das internas
Idéias, nascidas da oca, que todo dia 
Pode, com maestria, encarnar a cria.