quinta-feira, 21 de julho de 2011

Versos à meu Pai Boticário

Homenagem a meu amado pai, Farmacêutico Magistral.

Quando nossa era essa terra,
antes de jóias e metais brilhantes,
Separamos as ervas
Nossos unguentos, esverdeados,
Eram preparados em gral de pedra,
E curavam nossas moléstias.

Anos passaram-se,
tudo virou porcelana,
Pálida, esquálida.
O gral de pedra, guardado,
não pode mais ser usado,
tornou-se errado(...)
e agora vestindo um jaleco,
não mais com os pés na terra,
Preparava unguentos e comprimidos
De belos frascos rodeado
com seus detalhes dourados
Na bela botica branca, de porcelana.

Hoje, não existe mais o gral de pedra
E tão paramentados, por vezes esquecemos a arte(...)
Distanciamo-nos das folhas,
dos verdes unguentos
E da cura ao relento

E a alma que fora curandeiro e boticário,
hoje carrega o duro fardo de ser farmacêutico,
e por vezes esquecer da arte de curar por amor.

E por amor lembro-me de quando fomos 
curandeiros, e boticários.
Busco elixires de vida longa, éteres de felicidade
Comprimidos de plenitude e gotas de serenidade,
segundo a arte dos farmacêuticos.


Versos à Jamerson

Versos à quem me inspira, e a quem me tirou a vergonha de ser poeta. 

Deparei-me com um rapaz
Que descobriu meu contão.
Minha lira sai da abneganção
Mostrou-me, então, capaz.


Os versos ganham liberdade
Da cansada arca encefálica.
E perante a folha, esquálida,
Dançam plenos a felicidade!

Encontrei-me, rapaz d'oiro
Quase que em seu olhar
Sem nunca sua face ver

Fez meu cérebro redendoiro
E seus versos foram o inclinar
De minha lira, brotar, nascer!

domingo, 17 de julho de 2011

Versos à uma louca

Meretriz, não tens vergonha
De em seu ventre carregar
Fruto da mentira medonha
Que insiste me enfernizar?

Insiste na amenorréia
E pensa que acredito
Conheço a verborréria
De um crânio maldito!

Feto, do noturno ébrio,
Fruto do fétido adultério
E da sua mente insana(...)

Pensa, tenta, sua louca!
Volátil, você é tão pouca
E por fim, você sangra!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ode à dor.


O feixe de bombas, interneuronal
Que meus pensamentos carrega
É só dor! Meu caixão sepulcral
E minh'arca encefálica se degenera(...)

Minha massa cinzenta, maldita
só sabe computar as, sordidamente,
fibras dolorosas, que comumente
minha sanidade, facilmente, frita!

Subjetiva, pois necessária
Para meu karma eu acertar!
Poe-me em fulgaz acatisia.

Estabeleceu-se, arbitrária!
Pois-me na cama a rolar
eu, e minha santa agonia.

domingo, 3 de julho de 2011

Versos à um menino II

À um quase tudo, completo nada, Lucas C. Lisboa

Pensa que sua amarra é tão forte,
E acha que pode me fazer sofrer.
Continue brincando com a sorte
e verá sua lira, aos poucos, padecer(...)

Eu, na estante, coleciono vitórias,
Sou apadrinhada da Santa Morte!
E você, pirralho é só um recorte,
que fica chorando com memórias.

Num momento de espiritual elevação
Recordo-me da plantação da semente,
E como tudo cresceu. Então, acredite:

À você, miserável, resta, no limite
A minha oração, e no meu máximo
A minha luz, meu zelo, meu perdão!

sábado, 2 de julho de 2011

Versos à uma pimenta!

Busco, aflita e finda, em sua ardência
A serenidade de todas as minhas ânsias(...)
E então, pura e terna, em reticência
Desce-me queimando-me a garganta!

E vermelha, levando a branca semente, 
Põe-me sedenta, a sorrir e a lacrimejar
E de felicidade, trêmula, a avermelhar
Marca-se como minha eterna confidente(...)

Em quem deveria, eu, mais confiar(...)
Além de ti, minha amada pimenta
Que em tua acidez,  faz-me serena?

Acalenta-me, minha pequena caiena(...)
Escreveste em minh'alma a ementa
De toda paz que busquei, encontrar!

Antes de você.

Quando você chegou eu era só
Saciava-me com livros ancestrais(...)
Então chegou e fez o vil seu nó,
enrolou-se todos os meus vitais.

Meu coração, que apenas ritmava
Para de oxigênio meu cérebro suprir,
Perde tempo com dúvidas infindas
De como um ser normal deveria agir.

Pode até dizer-me o contrário
E dizer com sua rudez que não!
E usar de teu hábito arbitrário
Argumentando  pela sua razão(...)

Mas eu, como pura cientista
Digo, não! Digo-lhe meu rapaz:
Era eu, de amor poibicionista
Quando chegou, eu tinha paz.