sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Bisturi e comprimdo

Vou arrumar um bisturi
de arrancar esses risos
Para arrumar esse ciso
De tudo que eu construi!


Vou arrumar uma sonda
E vou fincar no coração
E me livrar desse condão
Dessa vigília, dessa ronda!


Vou arrumar os cirúrgicos
Para livrar do verbo túrgido
Esse organismo oprimido.


Eu vou, esse karma destruir,
Eu vou todo amor suprimir,
Com ajuda de um comprimido!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Oca pensante

Eu, que nasci da semi-esterilidade
Efetivei essa oca karma-patologia
De comigo conviver, em sanidade
Com a impossibilidade da procria!


Então, jovem, em jejum do verbo
Devido a ausência do ralo rubro
Já podia diagnosticar o meu certo
Já podia visualizar o meu delubro


Meu parto é pelo cérebro e pernas!
Na ausência dos órgãos do ventre
É o pensativo que sofre! Evidente!


Minha família é um grupo das internas
Idéias, nascidas da oca, que todo dia 
Pode, com maestria, encarnar a cria.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Alma presa

Em meu corpo jovem carrego
A sina do cientista mais antigo.
Que leu à de luz vela pelo ego:
Garantiu a cegueira de castigo!


Carrego também o reumatismo
Da velha que na sua cama reside
E viver nesse eterno bizarrismo
Que quem acorda, e sobrevive.


Vivo jovem, numa alma velha
Numa mente de tantas décadas
Que não consigo nem contar!


E  de tanto desespero s'esgoela
A alma presa, sábia e esquelética,
E que não consegue se acomodar!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Cientista na Janela

Dela, toda cidade sentia saudade
Recostada na janela, ela poderia
Com toda peculiar assanhosidade
Evoluir na ciência e na tecnologia.


Recorrendo ao café e ao fumo
Fazia tempos que ninguém a via
Ela estava recorrendo ao insumo
Que era fruto de grande antagonia.


A cientista que sozinha, na janela
Evoluia, pensava, bebia para criar
Perdia dias num grand'etéreo amor!


Como viver sem a perspicaz olhadela?
Por que iria ela de todos nós abdicar
Pra viver um egoísta projeto de dor?

sábado, 8 de outubro de 2011

Câncer

Do início, pontualmente errante
Levou anos a fio pra se mostrar!
Quando veio, a maldita mutante,
resolveu toda minha vida revirar!

E foi invadindo, pouco a pouco
Pouco os médicos podiam fazer(...)
Preferia morrer, assim, tarouco 
Ao cada dia minha vida perfazer!  

O frasco vídrio que me medicavam
Para tentar minha a vida prolongar,
só me deixava nessa Terra à sofrer!

E meu sofrimento eles postergavam
E à Santa Morte decidi me entregar
Dei-lhe à mão, pra passagem fazer!


J. Breuer, S. Freud e a Histérica.

Cada hora, um dia, o encontro
Em que tu só encontras o amor,
eu diagnostico esse teu tolontro
originária da paterna fétida dor.

Não projetes em mim, ou nele
Esse bebê que imaginas gerar.
Geras em tua mente esse filete
De células que ficas a elucidar!

Vamos cura-te, mulher histérica
Desse imaginar, e tremer e chorar
Pondo-te, forçada, calma a dormir!

Tua mente carrega a ciência médica
E a psicanálise que vai revolucionar,
e muitas outras loucuras irá reprimir!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Hora de arrumar a casa!

Preciso arrumar minhas gavetas
E deixar tudo muito organizado!
Jogar fora esse tanto de tretas,
Mantendo esse todo alfabetado!


É hora de arrumar esse armário
Colocar cada qual em seu lugar
Livrar-me do que é retardatário,
Para novamente, conseguir amar!


É hora de colocar as últimas peças
Desse absurdamente e estrondoso
Quebra-cabeças que me desafiaste!


Coloco-as no centro para tu meças
Para que abras teu sorriso luminoso
E tomar pra ti a mulher que amaste!