Em meu corpo jovem carrego
A sina do cientista mais antigo.
Que leu à de luz vela pelo ego:
Garantiu a cegueira de castigo!
Carrego também o reumatismo
Da velha que na sua cama reside
E viver nesse eterno bizarrismo
Que quem acorda, e sobrevive.
Vivo jovem, numa alma velha
Numa mente de tantas décadas
Que não consigo nem contar!
E de tanto desespero s'esgoela
A alma presa, sábia e esquelética,
E que não consegue se acomodar!
sábado, 24 de dezembro de 2011
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Cientista na Janela
Dela, toda cidade sentia saudade
Recostada na janela, ela poderia
Com toda peculiar assanhosidade
Evoluir na ciência e na tecnologia.
Recorrendo ao café e ao fumo
Fazia tempos que ninguém a via
Ela estava recorrendo ao insumo
Que era fruto de grande antagonia.
A cientista que sozinha, na janela
Evoluia, pensava, bebia para criar
Perdia dias num grand'etéreo amor!
Como viver sem a perspicaz olhadela?
Por que iria ela de todos nós abdicar
Pra viver um egoísta projeto de dor?
Recostada na janela, ela poderia
Com toda peculiar assanhosidade
Evoluir na ciência e na tecnologia.
Recorrendo ao café e ao fumo
Fazia tempos que ninguém a via
Ela estava recorrendo ao insumo
Que era fruto de grande antagonia.
A cientista que sozinha, na janela
Evoluia, pensava, bebia para criar
Perdia dias num grand'etéreo amor!
Como viver sem a perspicaz olhadela?
Por que iria ela de todos nós abdicar
Pra viver um egoísta projeto de dor?
sábado, 8 de outubro de 2011
Câncer
Do início, pontualmente errante
Levou anos a fio pra se mostrar!
Quando veio, a maldita mutante,
resolveu toda minha vida revirar!
E foi invadindo, pouco a pouco
Pouco os médicos podiam fazer(...)
Preferia morrer, assim, tarouco
Ao cada dia minha vida perfazer!
O frasco vídrio que me medicavam
Para tentar minha a vida prolongar,
só me deixava nessa Terra à sofrer!
E meu sofrimento eles postergavam
E à Santa Morte decidi me entregar
Dei-lhe à mão, pra passagem fazer!
J. Breuer, S. Freud e a Histérica.
Cada hora, um dia, o encontro
Em que tu só encontras o amor,
eu diagnostico esse teu tolontro
originária da paterna fétida dor.
Não projetes em mim, ou nele
Esse bebê que imaginas gerar.
Geras em tua mente esse filete
De células que ficas a elucidar!
Vamos cura-te, mulher histérica
Desse imaginar, e tremer e chorar
Pondo-te, forçada, calma a dormir!
Tua mente carrega a ciência médica
E a psicanálise que vai revolucionar,
e muitas outras loucuras irá reprimir!
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Hora de arrumar a casa!
Preciso arrumar minhas gavetas
E deixar tudo muito organizado!
Jogar fora esse tanto de tretas,
Mantendo esse todo alfabetado!
É hora de arrumar esse armário
Colocar cada qual em seu lugar
Livrar-me do que é retardatário,
Para novamente, conseguir amar!
É hora de colocar as últimas peças
Desse absurdamente e estrondoso
Quebra-cabeças que me desafiaste!
Coloco-as no centro para tu meças
Para que abras teu sorriso luminoso
E tomar pra ti a mulher que amaste!
E deixar tudo muito organizado!
Jogar fora esse tanto de tretas,
Mantendo esse todo alfabetado!
É hora de arrumar esse armário
Colocar cada qual em seu lugar
Livrar-me do que é retardatário,
Para novamente, conseguir amar!
É hora de colocar as últimas peças
Desse absurdamente e estrondoso
Quebra-cabeças que me desafiaste!
Coloco-as no centro para tu meças
Para que abras teu sorriso luminoso
E tomar pra ti a mulher que amaste!
sábado, 24 de setembro de 2011
Curando com palavras...
Leito por leito, sigo anotando
Pesares, aflições e tanta dor.
Assim a missão vou realizando
Desafogando cada lamentador.
Não é menos o fato de anotar
E fazer de dor poesia e prosa
Faz parte da cura o desapegar
Desse tanto da Terra extremosa
Enquanto energizam cada alma
E orientam, cuidadores da luz
Ponho-me somente a anotar(...)
Enquanto eles fornecem a calma
Eu os retiro da tão dolorida cruz
E por fim, estabelecemos, o curar.
Pesares, aflições e tanta dor.
Assim a missão vou realizando
Desafogando cada lamentador.
Não é menos o fato de anotar
E fazer de dor poesia e prosa
Faz parte da cura o desapegar
Desse tanto da Terra extremosa
Enquanto energizam cada alma
E orientam, cuidadores da luz
Ponho-me somente a anotar(...)
Enquanto eles fornecem a calma
Eu os retiro da tão dolorida cruz
E por fim, estabelecemos, o curar.
domingo, 11 de setembro de 2011
Clonazepan
Vício coletivo? Sim, inquestionável!
Mas não seria a ânsia um mal geral?
E vem um sacrossanto elixir de alívio
Permitir às pessoas ao geral convívio!
E muitos acham incoerente, ilógico
Que eu faça à essas gotas uma ode:
Dependo eu, em um litígio hipnótico
Para que minha alma se acomode!
São Gotas Santas, Gotas de Paz,
que me exilam dessa ânsia fulgaz
E saram a dor de acordado-ser!
Por fim, ao piedoso sono pertencer
E mesmo que farmacologicamente
As santas, acomodam minha mente!
E saram a dor de acordado-ser!
Por fim, ao piedoso sono pertencer
E mesmo que farmacologicamente
As santas, acomodam minha mente!
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